2 de fev de 2012

A Fisioterapia Gerontológica Proporcionando uma Nova Perspectiva ao Paciente - entrevista do Portal do Envelhecimento-PUC-SP

Esta entrevista foi feita pela colega Maria Lígia, do Programa de Mestrado em Gerontologia da PUC-SP e publicada no Portal do Envelhecimento.
Agradeço a colega pela oportunidade!!

A “fisioterapia gerontológica” envolve, além do tratamento das doenças do envelhecimento e do modo de preveni-las, a utilização de uma abordagem em que o idoso é visto de forma integral, considerando seus aspectos biológicos, psicológicos e sociais.       

30/01/2012 - por por Maria Lígia Mathias Pagenotto na categoria 'Academicas'

O que difere um atendimento fisioterápico que tem por base a geriatria e outro que se utiliza de conhecimentos gerontológicos?

Pautada por sua própria experiência na área, Cristina Cristovão Ribeiro da Silva, formada em Fisioterapia pela UNICID, tinha em mente que havia uma clara diferenciação entre um procedimento e outro. Sua dissertação de mestrado buscou justamente identificar o lugar da fisioterapia gerontológica dentro da Fisioterapia, levantando quais as características desse tipo de atendimento.

Em sua dissertação, intitulada Fisioterapia Gerontológica: Uma Nova Perspectiva de Atuação da Fisioterapia no Idoso, Cristina mostra que existem duas linhas bem distintas de atuação do fisioterapeuta junto à população idosa. A “fisioterapia geriátrica”, explica, tem como foco o tratamento e a prevenção das doenças próprias do envelhecimento e da velhice. Já a “fisioterapia gerontológica” envolve, além do tratamento das doenças do envelhecimento e do modo de preveni-las, a utilização de uma abordagem em que o idoso é visto de forma integral, considerando seus aspectos biológicos, psicológicos e sociais.

“Trata-se de uma diferenciação necessária e complexa”, diz Cristina, cuja dissertação, orientada pela professora doutora Vera Lúcia Valsecchi de Almeida, foi defendida em maio de 2011 na PUC-SP. Além de mestre, Cristina é também especialista em gerontologia pela UNIFESP e professora universitária no Centro de Ensino Superior de Foz do Iguaçu (Cesufoz, do grupo UNIP).

Sua pesquisa utilizou a abordagem qualitativa de perfil exploratório-descritivo, detendo-se no estudo de um caso de uma paciente sua do sexo feminino, com 94 anos de idade. De acordo com a pesquisadora, “apesar de pontuais, os resultados obtidos foram significativos envolvendo, entre outros aspectos, o que poderíamos ‘batizar’ de ‘renascimento do sujeito.”
Vale a pena conhecer um pouco mais do trabalho de Cristina Ribeiro nesta entrevista. Ela também desenvolve um blog, sobre seu trabalho, que pode ser conferido no endereço: http://fisiogerontologica.blogspot.com/.

Por que decidiu fazer mestrado em gerontologia?
Antes do mestrado, além de atuar como fisioterapeuta, exercia a atividade da docência no ensino superior, o que exigia um currículo com pós-graduação stricto sensu. Essa exigência já que correspondia aos meus desejos, pois sempre tive o objetivo de fazer um mestrado.
A escolha da gerontologia como linha de estudo foi natural. Já trabalhava na área e tinha a intenção de aprofundar meus estudos. Após conversar com amigos e professores da minha área, concluí que a melhor opção seria fazer o Programa de Estudos Pós-Graduados em Gerontologia, da PUC-SP. Eu me identifiquei muito com a proposta do curso. Fazer esse mestrado foi fundamental para que eu desenvolvesse uma visão gerontológica da fisioterapia que, até então, não tinha ou estava ainda embrionária.

Como definiu seu tema de pesquisa?
Meu tema surgiu a partir da minha prática profissional. Percebia que existia, e ainda existe, muita confusão na utilização dos termos-fisioterapia geriátrica e gerontológica, uma diferenciação necessária e complexa. Certa vez tive a feliz oportunidade de atender a uma paciente utilizando a abordagem gerontológica. Foi uma experiência fantástica, que surtiu resultados muito positivos. Por conta disso, resolvi estudar e escrever sobre este caso.

Quais os principais desafios que enfrentou durante o desenvolvimento do trabalho?
O assunto desenvolvido por mim tem poucas referências bibliográficas: existe apenas um livro com o título Fisioterapia Gerontológica, mas o seu conteúdo é puramente geriátrico. Ao fazer minha dissertação tive que, aos poucos, ir construindo uma sistematização do que vinha a ser a Fisioterapia Gerontológica, baseando-me nos atendimentos que fiz à paciente. Este foi um dos objetivos centrais da dissertação – ou seja, identificar as características dos atendimentos da fisioterapia gerontológica e contribuir para a sistematização da fisioterapia gerontológica por meio de um estudo de caso.

Que desdobramentos esta pesquisa teve na prática?
Pesquisar sobre este assunto foi muito bom, me ajudou a fundamentar teoricamente o que eu percebia na prática. Foi um processo que ocorreu juntamente com as aulas e discussões com os professores, que sempre incentivaram muito os alunos a estudarem e pesquisarem assuntos que tivessem relação com a sua vida profissional e interesses pessoais. Esta convergência do mestrado com a vida pessoal do aluno faz, para mim, muito mais sentido, já que aproveitamos mais o tempo, pois o que eu estudava no mestrado me ajudava a crescer profissionalmente, tanto como fisioterapeuta quanto como professora universitária. Além disso, essa convergência gera muita motivação. Foi muito bacana, pois conforme eu descobria e percebia algo que seria interessante na minha prática, durante os atendimentos, eu já colocava na dissertação, sempre pensando como eu poderia fundamentar aquilo que estava querendo dizer.

Como avalia a repercussão de sua pesquisa na sociedade? De que forma acha que seu trabalho contribui para a construção de uma cultura da longevidade?
O que percebo é que nesta área do envelhecimento/gerontologia, de forma geral, as referências ainda são muito escassas, que dirá na fisioterapia. Este campo possui diversas áreas de especialização, e, em se tratando da fisioterapia voltada às pessoas idosas, podemos encontrar várias denominações, tais como: “fisioterapia aplicada à geriatria e gerontologia”, “fisioterapia geriátrica”, “fisioterapia geriátrica e gerontológica” e até “fisioterapia gerontológica”. O mesmo ocorre quando esta área é estudada no curso de graduação; neste curso, a disciplina pode receber as várias denominações mencionadas, ou seja, ainda não existe um padrão para denominar a disciplina que estuda o idoso dentro do curso de Fisioterapia.

Em minha prática docente, exercida desde 2006, nunca observei a denominação “fisioterapia gerontológica” em nenhuma matriz curricular de cursos de Fisioterapia. Assim sendo, falta entendimento sobre a melhor denominação para a disciplina dentro do próprio curso de graduação. Se esta dúvida ou desconhecimento desta área ocorre com os coordenadores e professores do curso, que dirá com os alunos, futuros profissionais que atuarão com esta população idosa.
Minha questão é: será que eles saberão distinguir a fisioterapia geriátrica da fisioterapia gerontológica?
A permanência desta dúvida pode fazer com que eles exerçam, em sua prática, uma fisioterapia muito mais voltada aos princípios da geriatria, ou seja, aos moldes do modelo médico, em vez de exercer uma fisioterapia mais generalista e humanizadora, utilizando as bases da gerontologia.

Foi por isso que resolvi estudar e escrever sobre esta temática. Acredito que, quanto mais o fisioterapeuta tiver o conhecimento da gerontologia, mais ele incluirá, em seu tratamento, uma abordagem diferenciada do paciente; um olhar humanizado e integral pautado pelo princípio de quem tem à frente um sujeito idoso; uma pessoa que possui uma longa história de vida, ou seja, alguém que apresenta – ainda que com grandes variações individuais –, particularidades do processo de envelhecimento.

O enfoque da fisioterapia gerontológica não é apenas o tratamento das doenças do envelhecimento e o modo de preveni-las, como se dá na fisioterapia geriátrica; seu grande diferencial é que a abordagem feita ao idoso considera os seus aspectos biológicos, psicológicos e sociais. Por conta desta abordagem mais humanizada, por meio da fisioterapia gerontológica, considero de extrema importância este trabalho, pois se mais profissionais tiverem acesso a este saber, estarão mais preparados, ou talvez mais sensibilizados, para esta realidade do envelhecimento e para o contato com um paciente que, além de chegar com as fragilidades advindas de um processo inflamatório, uma dor aguda ou crônica, ou outra demanda que necessite de fisioterapia, é um sujeito idoso, que muitas vezes está sofrendo com as mudanças da idade, está sem o amparo da família.

O mercado de trabalho necessita de profissionais qualificados, preparados e mais sensíveis para esta realidade do envelhecimento. Acredito que, quanto mais se divulgar a gerontologia, e, neste caso, a fisioterapia gerontológica, melhor será para a sociedade em geral quanto para a cultura da longevidade.

O que o mestrado e a pesquisa acrescentaram em sua vida pessoal e profissional?
O curso proporcionou vivências muito importantes e a oportunidade de conhecer professores fantásticos. Pude participar de disciplinas que contribuíram para o desenvolvimento de muitas discussões surgidas em sala de aula. O curso também me ajudou a aprofundar o conhecimento e a estudar autores muito interessantes na área do envelhecimento/velhice.
Foi muito enriquecedor ter concluído a pesquisa, escrever e fundamentar teoricamente sobre um assunto com o qual eu já tinha contato, mas que até então existia apenas na prática.
Em relação à vida profissional, percebi, tanto no meio acadêmico quanto no cotidiano da fisioterapia, o valor da titulação.

Quais foram os passos seguintes ao mestrado em sua vida acadêmica? E na vida profissional?
Desde a defesa da dissertação venho ministrando algumas palestras sobre a temática “Fisioterapia Gerontológica”, com o objetivo de divulgar este assunto. Aos poucos estou também publicando parte da dissertação, na forma de artigos científicos.

O que diria para quem está começando a estudar na área?
Vejo que é uma área muito promissora. Com o aumento da expectativa de vida, cada vez mais o mercado de trabalho necessitará de profissionais qualificados em gerontologia. Esta realidade do envelhecimento populacional já é um fato no Brasil e ainda faltam profissionais preparados. O profissional que realmente se identificar com esta área, deve se dedicar, buscar sempre fazer o seu melhor, estudar, pesquisar, estar sempre atualizado, pois é um campo em que as pesquisas estão avançando e crescendo a cada dia. Acredito que se ele se preocupar com todos estes aspectos, terá, como consequência natural, muito trabalho e sucesso profissional, sendo feliz nesta sua escolha.

Fonte:http://portaldoenvelhecimento.org.br/noticias/academicas/a-fisioterapia-gerontologica-proporcionando-uma-nova-perspectiva-ao-paciente.html

Um comentário:

ANGÉLICA disse...

Olá Cristina, boa noite.

Em primeiro lugar, parabéns pelo seu trabalho, vi seus vídeos de exercícios, suas especializações na área e seu gosto pela atuação, que é a minha também. Gostaria de saber onde você ministra cursos?


Grata,

Angélica.