29 de set de 2010

Gostaria de trabalhar com idosos, o que posso fazer?

Dia 01 de outubro, sexta-feira, é o Dia Internacional do Idoso, por conta disto vale a pena falar um pouquinho sobre a formação em Gerontologia.

Se você gosta de idosos e já pensou em atuar na área de gerontologia, mas tem algumas dúvidas sobre a formação, mercado de trabalho, remuneração, agora é o momento de esclarecê-las.

Resolvi fazer este post, pois muitas pessoas têm me perguntado a respeito da profissão, então achei importante compartilhar estas informações com vocês, vamos as perguntas!!



I-Onde estudar?

O local onde estudar vai depender do que a pessoa quer, se é uma graduação ou pós-graduação:

1-graduação;

2-pós-graduação

2.1.pós-graduação latu-sensu: ou também chamada de especialização (para ser reconhecida deve ter no mín. 360h)

2.2.pós-graduação strictu-sensu: pode ser mestrado (2 anos) e doutorado (4 anos)

Vamos às explicações de cada uma delas:

1-Graduação em Gerontologia: a graduação em gerontologia é um curso novo, no Brasil só existe na USP-Leste e na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), na USP já existe uma turma formada e na UFSCar, o curso ainda não concluiu a 1ª turma.

-Mercado de Trabalho: esta área é muito promissora, os profissionais de gerontologia, além de atuarem em hospitais, ambulatórios, unidades básicas de saúde e escolas, podem trabalhar em programas/serviços de assistência domiciliar, instituições de média e longa permanência, hospitais, centros-dia e centros de convivência, bem como atuar na formação de uma rede formal de orientação, acompanhamento e apoio a cuidadores de idosos.

Eu vejo que o papel do gerontólogo nestes serviços será desempenhar a função de gestor, já que na prática sentimos falta de uma pessoa que entenda sobre a realidade do envelhecimento, da velhice e do idoso, o que observamos são pessoas com muito boa vontade, gerindo estes serviços.

Abaixo selecionei algumas informações úteis sobre os 2 cursos.

1.1.Graduação em Gerontologia-Escola de Artes, Ciências e Humanidades (USP Leste)

-Título: bacharel em Gerontologia;
-Número de vagas: 60
-Período: Vespertino
-Carga horária: 3.495 (estágio:720)
-Período de integralização curricular: mínimo 4 e máximo 6 anos

-O perfil do profissional: O egresso deste curso está capacitado a atuar junto às demandas assistenciais específicas dos idosos, sendo capaz de: reconhecer as dimensões física, emocional e sociocultural que integram a vida das pessoas e afetam o curso de vida, determinando ações cuidativas; compreender o fenômeno do envelhecimento como singular, universal, seqüencial, acumulativo, irreversível e não-patológico, em que a pessoa idosa é o foco central, desenvolvendo-se num determinado contexto sócio-histórico; contribuir para que se desenvolva um envelhecimento com saúde, oferecendo cuidado e apoio, e assegurando a participação ativa do idoso nesse processo.

1.2.Graduação em Gerontologia-Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

-Ano de implantação: 2009
-Vínculo: Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS)
-Título: bacharel em Gerontologia
-Profissional formado: Gerontólogo(a)
-Número de vagas: 40
-Período: Diurno integral
-Carga horária: 3.300 horas
-Período de integralização curricular: mínimo 4 e máximo 7 anos

-O perfil do profissional: É um profissional com formação generalista na área de Gerontologia, humanista, crítico e reflexivo; É capacitado para atuar na gestão da velhice saudável e da velhice fragilizada, pautado em princípios éticos e informações científicas em relação à saúde do idoso; É preparado para atuar em contextos multiprofissionais e multidisciplinares na perspectiva da gestão de diferentes questões que surgem individual e coletivamente na velhice; É capaz de compreender, criar, gerir, desenvolver e avaliar formas de apoio ao idoso e seus cuidadores, familiares e profissionais.

2-Pós-Graduação em Gerontologia:

Existem 2 formas de pós-graduação:

2.1-Pós-graduação latu-sensu: é aquela em ao final do curso, o aluno recebe a titulação de especialista, é voltada para a prática profissional e também possui conteúdos direcionados para a docência. Quem tem este tipo de especialização já pode ministrar aula no ensino superior, mas isto depende da faculdade, algumas ainda aceitam especialistas para dar aula, além dos mestres.

A especialização latu-sensu para ser boa, precisa ser reconhecida pelo MEC e ter no mínimo 360 h. Agora é interessante entrar no site da CAPES, depois de selecionar algumas pós-graduações, para ter uma idéia de como está classificada.

Quanto à especialização no idoso indico a especialização em gerontologia, ao invés, da especialização em geriatria, pois esta segunda é apenas voltada aos aspectos biológicos, já que geriatria é a área que estuda as doenças e aspectos físicos do envelhecimento. Já a gerontologia é a área que estuda o idoso em suas várias dimensões-biológica, psicológica, social, filosófica, enfim é uma área mais abrangente e se o profissional já é da área da saúde, ao meu ver, acrescenta mais a especialização em gerontologia, ao invés de apenas a geriatria, pois ajuda a ampliar a visão interdisciplinar.

Quanto aos locais, existem vários, mas sempre indico que se faça especialização em um bom local. Pois estudando em uma instituição conceituada, a pessoa tem a possibilidade de ter aula com ótimos professores, renomados em suas áreas, fazer novos contatos, o que pode abrir muitas oportunidades futuras.

2.2-Pós-graduação strictu-sensu: esta pós-graduação tem 2 modalidades, o mestrado com duração de aprox. 2 anos e o doutorado, com aprox. 4 anos. Na minha opinião se deve fazer mestrado depois de uns anos da graduação, depois de ter feito uma especialização, pois assim a pessoa adquiri alguma experiência profissional, para depois dar aula. Mas isto é claro, depende muito de pessoa para pessoa.

-Quanto ao mestrado denominado-Mestrado em Gerontologia, ou seja, a pessoa sairá mestre em gerontologia, só existem 3 no Brasil:

-Mestrado em Gerontologia-com enfoque na área biomédica-na UNICAMP (Campinas em São Paulo);
-Mestrado em Gerontologia-com enfoque social na PUC-SP (este é o que faço);
-Mestrado em Gerontologia-também com enfoque biomédico-na PUC-Rio Grande do Sul.

Estou gostando muito do mestrado na PUC, pois estou estudando algo novo para mim, tive aulas com professores de diversas áreas, filósofos, antropólogos, psicólogos, assistentes sociais, enfim, a proposta é bem intersdisciplinar.

Agora existe um outro mestrado que se chama-Mestrado em Ciências do Envelhecimento Humano, da UPF (Universidade Federal de Passo Fundo) que parece ser muito bom.

Algumas universidades com cursos na área de envelhecimento:

- Universidade Federal do Rio Grande do Sul;
- Pontíficie Universidade Católica do Rio Grande do Sul;
- Pontíficie Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP);
- Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ);
- Universidade Federal da Bahia;
- Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG);
- Universidade Federal Fluminense (UFF);
- Universidade de São Paulo (USP);
- Universidade Federal do Ceará;
- Universidade Católica de Brasília (UCB);

II-Onde posso trabalhar?

Existem muitas possibilidades de trabalhar nesta área da gerontologia, como já foi mencionado acima, mas vale a pena ressaltar, o profissional poderá atuar em: instituições de saúde públicas e privadas (hospitais, ambulatórios, unidades básicas de saúde, centros e hospitais-dia, centros de convivência, programas e serviços de assistência domiciliar); instituições de ensino e domicílios nos programas de assistência aos idosos; e atuar em equipe multiprofissional.

III-Como é a remuneração?

A remuneração vai depender muito, se for na área da docência, cada instituição tem o seu valor da hora/aula; se for em clínica pode ser que ela atenda pacientes de convênio ou apenas particular; caso seja um atendimento em domicílio o valor também será outro; portanto cada local é um valor. Mas o interessante é o profissional verificar o seu honorário de acordo com o seu conselhor regional, no caso da fisioterapia é o CREFITO (Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional) preconiza.

IV-Como está o mercado de trabalho?

Vejo o mercado de trabalho de forma muito otimista, por dois motivos: o número de idosos está aumentando, a pespectiva para 2050 é que para cada 3 pessoas da população, 1 seja idosa, o que vai equivaler ao dobro de idosos que temos hoje; e o outro fato é a falta de profissionais qualificados para atender esta população. Esta escassez aumenta a demanda por profissionais mais qualificados, para trabalhar nesta área.

O que eu vejo que é fundamental nesta área é a pessoa gostar de idosos, ter paciência, sensibilidade, delicadeza para lidar com eles, pois é a faixa etária com a maior diversidade, ou seja, dentre a população idosa podemos encontrar idosos de todos os tipos, entretanto com as particularidades do processo do envelhecimento. E o profissional sabendo disto, estudando a fundo esta área saberá melhor tratá-los, sem preconceitos e estigmas, mas com amor e muito carinho.

Espero ter contribuido para esclarecer as dúvidas em relação a gerontologia, mas caso você tenha alguma questão que não foi abordada aqui, pode me enviar um e-mail (cristinaribeiroft@gmail.com).
Estou a disposição para o que for necessário.
Obrigada!!
Ft. Cristina Ribeiro

3 comentários:

Reabilitação Gerontológica disse...

Gostaria de aproveitar o espaço para esclarecer que, apesar de não haver um programa específico em Gerontologia, essa área de conhecimento é desenvolvida dentro de alguns cursos de pós-graduação Stricto-Sensu na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Por exemplo, na pós em Saúde Coletiva, dentro da área de concentração em Epidemiologia, existe uma linha de pesquisa em Epidemiologia e Biologia do Envelhecimento (http://www.unifesp.br/dmedprev/pg/areas.htm). O mesmo se aplica a outros cursos na mesma instituição, basta o candidato ter interesse em conhecer um pouco mais a fundo os programas.

Considerando o caráter interdisciplinar da Gerontologia, é possível estudar o fenômeno do envelhecimento sob vários prismas em diferentes programas. Cabe ao aluno (preferencialmente já especialista) propor ao futuro orientador um projeto que claramente estabeleça a interlocução da área de formação conferida pela pós com a Gerontologia. Essa é uma forma de "contornarmos" o exíguo número de cursos nessa área e produzirmos conhecimentos novos em Gerontologia.

Vale reforçar ao aspirante ao Stricto Sensu que, já sendo especialista, ele terá mais clareza acerca do pilar da Gerontologia em que mais se identifica (Biologia, Sociologia e Psicologia) e poderá elaborar um projeto dentro da linguagem a que mais se identificar. A Gerontologia ainda é pobre em teorias gerais que busquem a unificação dos métodos derivadas das áreas dos 3 pilares fundamentais, justamente pelo seu caráter interdisciplinar. É por essa razão que é possível estudar o envelhecimento em diversos programas.

Renata Cereda
http://www.lesf.org.br

Anônimo disse...

Goataria de ressaltar uma curiosidade que tenho observado nas matrizes curriculares de alguns cursos de graduação na área da saúde. A falta de disciplinas voltadas para o envelhecimento, assim como os eventos academicos. Fui convidado como palestrante de uma Jornada desenvolvida pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), sobre saúde do idoso na atenção básica, onde observei a falta de interesse pelo assunto. E, é por isso que a cada dia me apaixono pela área.

Atenciosamente,

Ft.Natanael de Oliveira Silva
natanfisio@hotmail.com

patricia disse...

te admiro muito sou aluna da escola de enfermagam santa barbara turma b e tenho muita satisfação em te conhecer.Patricia vieira

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